Estou voltando ao passado na memória pois fiquei muito abalado com a estória do playboy que matou um gari em Mina Gerais. Uma dessas atitudes que não tem justificativa na minha maneira de entender.
Enquanto funcionário de multinacional tive muito conforto para realizar meu trabalho. Certa vez, numa reunião em São Paulo, estávamos num hotel luxuoso. Lembro que no almoço serviram o prato Frango à Cubana. Logo após o almoço, antes de retomar o trabalho, tivemos uma meia hora para descanso.
Sai do restaurante e fui até o apartamento esticar um pouco. Estava hospedado num andar baixo e na rua uns operários faziam consertos na calçada trabalhando no pesado.
Ao abrir a janela pude observar que eles estavam também no seu horário de almoço e deu para ver o que continham suas marmitas. Arroz, feijão, um pouco de farinha e ovo frito. Consternado pela dualidade da minha realidade com a deles não me contive. Retornei ao restaurante e pedi ao atendente uma marmita com pedaços de frango que seriam inutilizados pela administração do hotel.
Voltei ao apartamento, abri a janela e ofereci a um deles a marmita crendo que aqueles pedaços de carne fariam a festa daquele almoço. Ledo engano.
O operário que a recebeu; abriu a marmita, agradeceu, voltou-se para mim e disse: “Muito obrigado! Mas, não vou comer agora. Vou levar pra casa. As crianças irão adorar”.
Naquele instante em que deveria retornar para o conforto da sala de reuniões confesso que destruído perla constatação da realidade chorei. Por um breve momento tive a realidade do meu país exposta a minha frente. Pense nisso quando ver seu prato cheio na próxima refeição.
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