Urbanidade é um artigo escrito pelo meu amigo publicitário e professor Hamilton de Lima e Souza e foi publicado esta semana no Diário da Amazônia. O artigo tem uma visão muito clara do que representam as eleições municipais para todos nós. Segue o texto:
"Um tanto polêmicos, de dois em dois anos surgem candidatos
dispostos a resolver todas as questões pendentes no território brasileiro. São
eles candidatos a vereadores, prefeitos, deputados, senadores, governadores
e presidentes. Em comum os discursos mirabolantes e
promessas que serão
cumpridas apenas com pequena relatividade.
De todos os candidatos teoricamente os vereadores são os que
mais se aproximam da população, principalmente nos pequenos centros. Nos
grandes alguns representantes são inacessíveis, tamanho o gigantismo
das cidades e a estrutura de filtros que impedem o contato
direto com os eleitores.
Estes buscam favores e soluções urbanas, como asfaltamento
de ruas, ajardinamento, galerias pluviais entre outros pedidos, limpeza urbana,
iluminação entre os pedidos mais comuns. Outros puramente favores
como cargos comissionados. Estes pedidos normalmente constituem
alguns
dos itens importantes para o conceito de urbanidade, mas ainda
existe a necessidade de escolas e creches, posto de saúde, e até mesmo o item
segurança, que não é função do município. Os municípios criam
guardas municipais apenas para proteger o patrimônio público, embora seja comum
os membros das guardas se envolverem em outros tipos de atividades.
Curiosamente os eleitores possuem conceitos firmes do que
seja urbanidade,
o que nem sempre é comum aos legisladores. A falta de
preparo dos representantes populares acaba desviando sua conduta para outros
assuntos pouco relevantes como homenagens a comerciantes e cidadãos
ilustres, em detrimento do compromisso com a urbanidade.
As cidades crescem desordenadamente, e a falta de
compreensão com a ocupação dos espaços acaba se tornando um calvário para os
administradores. Antes mesmo de providenciar candidatos os partidos políticos
deveriam promover reuniões com arquitetos e outros
profissionais
com o intuito de oferecer à população soluções humanas mais
bem preparadas.
Nas grandes cidades é perfeitamente viável. O que parece é que
os partidos políticos no afã de conquistarem espaço deixam de selecionar melhor
os seus representantes. O resultado é evidente.
Representantes populares sem noção da administração de
espaço e da importância do atendimento populacional e as relações homem/meio
ambiente serão eleitos novamente no mês de outubro.
Seria interessante que os eleitores antes de finalizar suas
opções analisassem
a capacidade dos candidatos a vereadores e prefeitos de
entender o que é urbanidade e as suas implicações. Assim teriam mais garantias
de qualidade de vida pelos próximos anos."